Doenças oculares · 12 de set de 2026

Hordéolo (Terçol): O Que É, Como Tratar Corretamente e Sinais de Alerta

Por Dr. Gustavo Henrique Costa Silva Suarez

O hordéolo, popularmente chamado de terçol, é uma infecção bacteriana aguda das glândulas da pálpebra que causa um nódulo doloroso, avermelhado e inchado. Entenda o tratamento correto, a diferença para o calázio e os sinais de alerta.

Hordéolo externo com nódulo avermelhado e inchaço na borda da pálpebra do olho.
Hordéolo externo: nódulo avermelhado com ponto focal de inflamação junto à base dos cílios.

O hordéolo, popularmente chamado de terçol, é uma infecção bacteriana aguda das glândulas da pálpebra que causa um nódulo doloroso, avermelhado e inchado na margem dos olhos. O alívio seguro exige o uso de compressas mornas e avaliação com médico oftalmologista para prescrição de pomadas adequadas, evitando complicações como a disseminação da infecção.

Autor: Dr. Gustavo Henrique Costa Silva Suarez (Médico Oftalmologista e Diretor Técnico - CRM-RJ 84130-7 | RQE 23902)

Revisão Técnica: Dr. Gustavo Henrique Costa Silva Suarez (CRM-RJ 84130-7 | RQE 23902)

O que é hordéolo e por que ele aparece na pálpebra?

O hordéolo surge quando as pequenas glândulas produtoras de lipídios da pálpebra sofrem obstrução e colonização bacteriana, principalmente por bactérias da flora cutânea como o Staphylococcus aureus. As pálpebras possuem dezenas dessas glândulas, cuja secreção oleosa serve para evitar a evaporação rápida da lágrima.

Quando os ductos dessas glândulas entopem por descamação de pele, excesso de oleosidade ou resíduos cosméticos, as bactérias proliferam no local retido. O resultado direto desse processo infeccioso é a formação de um microabscesso doloroso na borda ciliar ou na face interna da pálpebra.

Existem duas formas clínicas distintas para essa condição:

  • Hordéolo externo: acontece na parte externa da margem palpebral, comprometendo as glândulas de Zeis ou de Moll associadas aos folículos dos cílios. Costuma formar uma ponta amarelada visível na pele.
  • Hordéolo interno: desenvolve-se na face profunda da pálpebra, atingindo as glândulas de Meibomius alojadas na placa tarsal. Costuma ser mais doloroso e o ponto de supuração aponta para a conjuntiva interna.

Qual a diferença entre terçol (hordéolo) e calázio?

A confusão entre hordéolo e calázio é extremamente comum nos consultórios, mas as duas condições exigem compreensões clínicas distintas. Enquanto o hordéolo é uma infecção bacteriana ativa e muito dolorosa, o calázio consiste em uma inflamação granulomatosa crônica e geralmente indolor.

O hordéolo se manifesta de forma rápida, com calor local, vermelhidão intensa, dor ao toque e sensação de peso no olho. Ele costuma durar de poucos dias a duas semanas até que o conteúdo purulento seja drenado ou reabsorvido pelo organismo.

Já o calázio surge com frequência após um episódio prévio de hordéolo interno mal resolvido ou obstrução lenta e crônica da glândula de Meibomius. Nele, a secreção sebácea fica retida e o corpo forma uma cápsula inflamatória ao redor, gerando uma “bolinha” endurecida e sem dor aguda, que pode permanecer inalterada por meses se não receber tratamento apropriado.

O que é bom para desinchar terçol rápido e o que nunca fazer?

O pilar inicial do tratamento clínico seguro é a aplicação de calor local contínuo. A aplicação de compressas mornas sobre a pálpebra fechada fluidifica a gordura espessada e favorece a drenagem natural da glândula afetada.

Para aplicar o método com segurança no dia a dia:

  • Utilize gaze estéril ou algodão limpo embebido em água filtrada ou mineral morna, com temperatura agradável testada no pulso para evitar queimaduras na pele fina palpebral.
  • Mantenha a compressa sobre o olho fechado por 10 a 15 minutos, repetindo o processo de 3 a 4 vezes ao dia.
  • Ao notar o resfriamento da gaze, troque-a para manter a temperatura constante durante a sessão.

Nunca esprema ou perfure a lesão. Tentar espremer o hordéolo com os dedos ou furar com agulhas caseiras rompe a barreira de contenção do tecido ocular. Esse erro pode empurrar a bactéria para tecidos mais profundos e favorecer infecções como celulite pré-septal e celulite orbitária.

Exemplo clínico de consultório

Paciente de 28 anos compareceu à unidade da oftalmo+ com dor intensa e edema acentuado na pálpebra superior direita que se estendia até o supercílio. Relatou que, ao notar um pequeno terçol três dias antes, tentou espremê-lo utilizando uma pinça de sobrancelha não higienizada. A manipulação provocou disseminação bacteriana para a derme palpebral superficial, instalando uma celulite pré-septal secundária. Foi necessário instituir tratamento e reavaliações clínicas seriadas até a resolução do quadro.

O terçol é contagioso? Entenda os fatores de risco

O hordéolo não é transmitido pelo ar, pelo contato visual e não passa de uma pessoa para outra como uma conjuntivite infecciosa. A bactéria causadora já habita habitualmente a pele humana, dependendo de fatores locais e individuais para conseguir se proliferar.

Determinadas condições aumentam a frequência com que esses quadros se repetem:

  • Blefarite e disfunção meibomiana: inflamação crônica nas bordas das pálpebras associada ao acúmulo de crostas ciliares.
  • Dermatite seborreica e rosácea: quadros dermatológicos que alteram a qualidade do sebo produzido pelas glândulas anexas.
  • Higiene palpebral inadequada: não retirar a maquiagem antes de dormir ou manusear lentes de contato sem lavar adequadamente as mãos.
  • Baixa imunidade e estresse: fases de sobrecarga física e emocional que podem favorecer recorrências.

Quando procurar atendimento de emergência ou avaliação médica?

A maioria dos episódios de hordéolo involui entre 7 e 14 dias com cuidados básicos, mas sinais de complicação exigem avaliação oftalmológica imediata.

Sinais de alerta para atendimento imediato:

  • O inchaço e a vermelhidão se espalham pela bochecha, sobrancelha ou fecham completamente o olho.
  • Surgimento de febre, calafrios ou mal-estar generalizado.
  • Dor ocular profunda e dificuldade ou dor ao movimentar o globo ocular.
  • Embaçamento persistente ou queda na acuidade visual.
  • Nódulo que não diminui de tamanho após duas semanas de compressas mornas.

Na persistência da lesão ou em casos de grande volume com formação de abscesso maduro, o oftalmologista pode indicar drenagem sob anestesia local, conforme avaliação individual.

Para avaliação clínica em lâmpada de fenda e orientação adequada, agende sua consulta com a equipe médica da oftalmo+. Entre em contato com a Central de Agendamento pelo WhatsApp no número +55 21 93618-8093 ou visite uma de nossas unidades no Rio de Janeiro: Campo Grande, Santa Cruz ou Barra da Tijuca.

Perguntas Frequentes sobre Hordéolo (FAQ)

Posso usar colírio de farmácia por conta própria para tratar terçol?

Não é recomendado. A automedicação com colírios ou pomadas pode mascarar sinais, atrasar o diagnóstico ou causar efeitos indesejados. O tratamento medicamentoso deve ser indicado por médico oftalmologista após avaliação.

Posso usar maquiagem ou lentes de contato enquanto estiver com terçol?

Não é recomendado. Cosméticos podem obstruir ainda mais as glândulas e contaminar os produtos com bactérias. As lentes de contato devem ser suspensas temporariamente para reduzir o risco de complicações na superfície ocular.

O terçol pode virar algo maligno ou câncer de pálpebra?

O hordéolo comum é infeccioso e benigno. Contudo, lesões palpebrais que sangram, não cicatrizam por vários meses, causam perda localizada dos cílios ou recidivam repetidamente no mesmo ponto precisam de avaliação oftalmológica para excluir outros diagnósticos.

Referências Científicas e Acadêmicas

  1. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Doenças Externas Oculares e Córnea. Série Oftalmologia Brasileira. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  2. American Academy of Ophthalmology (AAO). Preferred Practice Pattern: Blepharitis and Eyelid Inflammation. San Francisco: AAO, 2024.
  3. Lindsley K, Nichols JJ, Dickersin K. Interventions for acute internal hordeolum. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2017.
  4. Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (SOBLEC). Manual de Condutas em Afecções Palpebrais e Superfície Ocular. São Paulo, 2022.
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