Cirurgias · 4 de set de 2026

Cirurgia de Pterígio: O Que É, Sintomas, Riscos e Técnicas Modernas sem Pontos

Por Dra. Amanda Suarez

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Cirurgia de Pterígio: O Que É, Sintomas, Riscos e Técnicas Modernas sem Pontos

Por Dra. Amanda Suarez (CRM-RJ 109931-0) Revisado Tecnicamente pelo Dr. Gustavo Henrique Costa Silva Suarez (Diretor Técnico, CRM-RJ 84130-7 | RQE 23902) O pterígio é uma proliferação tecidual fibrovascular benigna que cresce a partir da conjuntiva em direção à córnea. A cirurgia de pterígio é o único tratamento definitivo quando a lesão causa irritação crônica, induz astigmatismo ou ameaça o eixo visual, sendo o transplante autólogo de conjuntiva com adesivo biológico o método de eleição...

Por Dra. Amanda Barberan Silva Suarez (CRM-RJ 109931-0)

Revisado Tecnicamente pelo Dr. Gustavo Henrique Costa Silva Suarez (Diretor Técnico, CRM-RJ 84130-7 | RQE 23902)

  

O pterígio é uma proliferação tecidual fibrovascular benigna que cresce a partir da conjuntiva em direção à córnea. Quando há indicação cirúrgica, a remoção do pterígio pode ser associada a enxerto conjuntival para reduzir o risco de recorrência. A técnica e a forma de fixação do enxerto são escolhidas conforme as características do caso e a avaliação da equipe médica.

Lesão fibrovascular de aspecto triangular avançando sobre a córnea, típica do pterígio nasal.

O Que É Pterígio e Como Ele Se Desenvolve?

Muitas pessoas chegam ao consultório assustadas ao notar uma camada esbranquiçada ou avermelhada crescendo na superfície do olho, chamando-a popularmente de "pelezinha" ou "carne nos olhos". O pterígio é uma condição benigna originada na conjuntiva bulbar que não possui qualquer relação com tumores malignos ou cegueira súbita.

Diferente da pinguécula, que se restringe a uma pequena mancha ou elevação amarelada na parte branca dos olhos, o pterígio ultrapassa a barreira do limbo e começa a invadir o estroma da córnea. Esse processo ocorre predominantemente no canto interno (nasal), embora também possa surgir no canto externo (temporal).

A principal causa associada ao aparecimento e evolução do pterígio é o estresse celular contínuo desencadeado pela radiação solar ultravioleta (UVA e UVB). Pacientes que trabalham ao ar livre ou vivem em regiões costeiras e tropicais ensolaradas, como a cidade do Rio de Janeiro, representam a parcela mais suscetível ao problema. Poeira constante, poluição e ar seco também funcionam como gatilhos de inflamação repetitiva.

Principais Sintomas e o Impacto na Visão

Nos estágios iniciais, o pterígio pode se manifestar de forma discreta, gerando apenas queixas estéticas. Conforme a vascularização aumenta e o tecido se espessa, os episódios inflamatórios tornam-se frequentes e incômodos.

Os sintomas mais frequentes do pterígio incluem:

  • Olhos vermelhos (hiperemia) persistentes, agravados ao final do dia;

  • Sensação contínua de areia, corpo estranho ou cisco sob a pálpebra;

  • Prurido (coceira), ardência e queimação ocular;

  • Lacrimejamento reflexo e sensibilidade à luz (fotofobia);

  • Distorção visual e embaçamento progressivo.

À medida que o tecido conjuntival se contrai sobre a córnea, ele traciona sua superfície regular, alterando sua curvatura milimétrica. Essa deformação mecânica induz astigmatismo corneano irregular, fazendo com que a visão fique turva e linhas retas pareçam tortas. Se a lesão não for tratada a tempo e atingir a área central da pupila, ela bloqueia mecanicamente a passagem de luz, comprometendo de forma grave a visão.

Pterígio É Catarata? Entenda as Diferenças

É comum haver confusão entre as duas condições, mas elas acometem partes anatômicas completamente distintas dos olhos.

Enquanto o pterígio é um crescimento fibrovascular externo e visível a olho nu na conjuntiva, a catarata é a opacificação do cristalino, uma lente natural localizada no interior do globo ocular, atrás da íris.

Na catarata, nada cresce por fora dos olhos. A cirurgia de catarata consiste na aspiração do cristalino e implante de lente intraocular, enquanto a cirurgia de pterígio é um procedimento de superfície na parte externa do olho.

Quando a Cirurgia de Pterígio É Indicada?

Colírios lubrificantes e, quando indicados pelo médico, medicamentos anti-inflamatórios podem aliviar sintomas e controlar episódios de inflamação, mas não removem o tecido já formado sobre a córnea.

A cirurgia pode ser considerada, entre outras situações, quando:

  • O pterígio cresce progressivamente em direção ao centro da pupila;

  • A lesão induz astigmatismo corneano e piora a nitidez visual;

  • Há episódios recorrentes de inflamação e desconforto que não respondem aos colírios;

  • O aspecto estético causa desconforto emocional e constrangimento ao paciente.

Cirurgia de pterígio realizada sob visualização microscópica detalhada em centro cirúrgico.

Como É Feita a Cirurgia: A Técnica Moderna Sem Pontos

No passado, a cirurgia de pterígio era associada a dores intensas no pós-operatório e a altos índices de reaparecimento da lesão, que chegavam a ultrapassar 30% em técnicas antigas conhecidas como "esclera nua" (apenas raspagem sem cobertura da área).

As técnicas cirúrgicas atuais procuram reduzir recorrência e desconforto. O enxerto conjuntival autólogo é uma das abordagens mais utilizadas na cirurgia de pterígio. A cola de fibrina pode ser usada para fixar o enxerto e, em estudos comparativos, tem sido associada a menor tempo cirúrgico e menor desconforto inicial do que suturas.

Durante o procedimento, realizado com anestesia local em colírio e leve sedação:

  1. O oftalmologista resseca cuidadosamente a lesão fibrovascular e regulariza o estroma corneano superficial;

  2. Uma fina lâmina de conjuntiva saudável é retirada da parte superior do próprio olho do paciente (região naturalmente protegida pela pálpebra);

  3. Esse enxerto conjuntival é fixado sobre a área exposta utilizando uma cola de fibrina biológica biocompatível, dispensando o uso de suturas (pontos cirúrgicos).

A fixação com cola de fibrina pode reduzir o tempo cirúrgico e o desconforto pós-operatório inicial em comparação com suturas. As taxas de recorrência variam entre estudos e dependem da técnica, das características do pterígio e do tempo de acompanhamento.

Caso Clínico Real — dados desidentificadosUm paciente do sexo masculino, 48 anos, compareceu à clínica oftalmo+ referindo constante vermelhidão no olho esquerdo e visão borrada ao ler placas na rua. Havia ignorado a lesão por quase cinco anos por medo da cirurgia convencional, após relatos de dor intensa feitos por conhecidos no passado. Ao exame de lâmpada de fenda, a lesão já invadia 2,8 milímetros da córnea, induzindo 2,25 dioptrias de astigmatismo contra a regra.O paciente foi submetido à cirurgia de pterígio com transplante conjuntival fixado com cola biológica. Não houve necessidade de pontos. No retorno de 24 horas, o enxerto mantinha adesão perfeita, sem queixas de dor exceto um leve desconforto por sensibilidade à claridade. No acompanhamento em longo prazo, a curvatura corneana estabilizou-se, recuperando sua acuidade visual original sem sinais de retorno do tecido.

Recuperação, Pós-Operatório e Prevenção

A recuperação após a cirurgia varia entre pacientes e exige adesão aos cuidados prescritos pelo médico oftalmologista.

Nos primeiros dias, o olho tratado pode apresentar vermelhidão local, lacrimejamento e discreto edema nas pálpebras. Conforme a avaliação médica, podem ser prescritos colírios para prevenir infecção, controlar inflamação e acompanhar a cicatrização. A maioria dos pacientes retorna às suas atividades laborais e rotinas habituais entre 3 e 7 dias, devendo evitar banhos de mar, piscina, poeira e esforço físico extenuante nas primeiras semanas.

Para proteger os olhos e prevenir tanto recidivas quanto o surgimento da lesão no outro olho:

  • Use sempre óculos escuros de boa procedência com filtro 100% contra radiação UVA e UVB;

  • Adote bonés ou chapéus de abas largas durante exposições prolongadas ao sol;

  • Evite esfregar ou coçar os olhos com força;

  • Mantenha os olhos bem lubrificados com lágrimas artificiais prescritas pelo seu oftalmologista.

SINAIS DE ALERTA: QUANDO BUSCAR ATENDIMENTO IMEDIATOEmbora as complicações pós-cirúrgicas sejam raras, entre em contato imediatamente com a equipe médica ou dirija-se à clínica caso note: dor intensa súbita que não cede com os analgésicos prescritos, perda ou embaçamento abrupto da visão, secreção espessa e purulenta (amarelada ou esverdeada), sangramento conjuntival ativo ou deslocamento evidente do enxerto tecidual.

Perguntas Frequentes Sobre Pterígio (FAQ)

Pterígio pode virar câncer?

Não. O pterígio é uma proliferação estritamente benigna do tecido conjuntival e não se transforma em câncer nem gera metástases. Contudo, qualquer lesão na superfície ocular deve ser avaliada por um oftalmologista para descartar neoplasias conjuntivais que possam apresentar aspecto parecido.

O pterígio pode voltar depois de operado?

A recorrência é mais frequente em técnicas sem enxerto conjuntival. Estudos comparativos mostram menor risco de recorrência com enxerto conjuntival e, em algumas análises, com cola de fibrina em relação às suturas; o percentual exato varia conforme a técnica, o perfil do paciente e o tempo de seguimento.

Quanto tempo dura a cirurgia de pterígio com cola biológica?

O procedimento costuma durar entre 20 e 40 minutos. Trata-se de um procedimento ambulatorial: o paciente vai para casa no mesmo dia, sem necessidade de internação hospitalar.

O pterígio afeta o grau dos óculos?

Sim. Ao crescer e puxar as camadas externas da córnea, o pterígio achata e deforma a estrutura óptica corneana, induzindo astigmatismo irregular. A indicação e o momento da cirurgia dependem da progressão da lesão, dos sintomas e do impacto sobre a córnea e a visão.

Cirurgia de pterígio dói?

A cirurgia costuma ser realizada com anestesia local para controlar a dor durante o procedimento. No pós-operatório podem ocorrer ardor, sensação de corpo estranho e desconforto, cuja intensidade varia entre pacientes e pode ser menor quando o enxerto é fixado com cola de fibrina em vez de suturas.

Para avaliar o grau do pterígio e discutir as opções de tratamento adequadas ao seu caso, agende sua consulta com a equipe oftalmo+ pelo WhatsApp da nossa Central de Atendimento: +55 21 93618-8093 ou compareça a uma de nossas unidades no Rio de Janeiro: Campo Grande, Santa Cruz ou Barra da Tijuca. 

 

Referências Científicas e Acadêmicas

  1. American Academy of Ophthalmology (AAO). Cornea and External Disease: Preferred Practice Pattern. São Francisco: AAO, 2024.

  2. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Doenças da Superfície Ocular e Córnea. Série Oftalmologia Brasileira. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.

  3. Hirst LW. The treatment of pterygium. Surveys of Ophthalmology, v. 48, n. 2, p. 145-180.

  4. Romano V, et al. Fibrin glue versus sutures for conjunctival autografting in primary pterygium surgery: a systematic review and meta-analysis. Ophthalmology, v. 123, n. 1, p. 25-33.

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