O que é uma lente escleral e por que ela é diferente
Uma lente escleral é feita de material rígido gás-permeável e tem diâmetro suficiente para ultrapassar a córnea e o limbo. Em vez de depender do apoio central na córnea, ela foi desenhada para se apoiar na conjuntiva que reveste a esclera.
O espaço entre a parte interna da lente e a córnea é preenchido com solução estéril adequada. Esse reservatório líquido, também chamado de reservatório lacrimal, ajuda a criar uma superfície óptica mais regular e, em alguns pacientes, contribui para proteger uma superfície ocular fragilizada.
É um dispositivo médico feito ou selecionado por parâmetros específicos do olho. Maior tamanho não significa, por si só, melhor adaptação: a qualidade do encaixe e o acompanhamento são fundamentais.
Para quem as lentes esclerais podem ser indicadas
As lentes esclerais costumam ser consideradas quando óculos e lentes convencionais não oferecem visão ou tolerância suficientes. A indicação depende de exame oftalmológico, características da córnea, superfície ocular e capacidade de manusear e cuidar da lente.
- Ceratocone e outras ectasias da córnea com astigmatismo irregular
- Irregularidades corneanas após cirurgias ou transplantes, em casos selecionados
- Cicatrizes ou alterações que dificultam a visão com lentes convencionais
- Algumas doenças importantes da superfície ocular, como olho seco grave, quando há indicação terapêutica específica
Lente escleral corrige o ceratocone ou interrompe sua progressão?
A lente escleral pode melhorar a visão do paciente com ceratocone ao criar uma interface óptica mais regular diante de uma córnea irregular. Isso pode reduzir imagens duplicadas, sombras e outras distorções que nem sempre desaparecem com óculos.
Mas melhorar a visão é diferente de controlar a doença. A lente escleral não substitui o acompanhamento da progressão do ceratocone. Quando há evolução documentada, tratamentos como o crosslinking podem ser avaliados com outra finalidade: procurar estabilizar a córnea.
O mesmo paciente pode precisar de estratégias diferentes para dois objetivos: enxergar melhor e acompanhar ou tratar a progressão.
Escleral, rígida corneana e gelatinosa: qual é a diferença?
A lente gelatinosa costuma acompanhar mais de perto o formato da córnea e atende muitas necessidades de correção visual. A lente rígida gás-permeável corneana é menor e se apoia sobre a córnea, podendo oferecer uma superfície óptica mais regular.
A lente escleral também é rígida e gás-permeável, mas é maior: ultrapassa a córnea e distribui o apoio na região escleral recoberta pela conjuntiva. Entre a lente e a córnea fica o reservatório líquido.
Em alguns pacientes, esse desenho aumenta a estabilidade e o conforto; em outros, o manuseio, a adaptação ou condições da superfície ocular tornam outra opção mais adequada. Não existe um modelo vencedor para todos os olhos.
Como funciona a adaptação de uma lente escleral
A adaptação começa com avaliação da visão, da córnea, da lágrima e das pálpebras, além de histórico de tratamentos e lentes anteriores. Conforme o caso, topografia, tomografia corneana e outros exames podem ajudar no planejamento.
Na lente de teste, o profissional observa a separação entre a lente e a córnea (clearance ou vault), a região limbar e o modo como a lente se apoia na conjuntiva. O encaixe é reavaliado após um período de acomodação da lente no olho, porque a distribuição de apoio e o reservatório podem mudar.
Também se avaliam a qualidade visual, a oxigenação, a presença de bolhas e o conforto. Podem ser necessários ajustes de desenho e mais de uma visita. O processo inclui ensinar colocação, retirada, higiene e sinais de alerta.
- Avaliação clínica e escolha da lente de teste
- Análise do reservatório líquido, do limbo e do apoio escleral
- Refinação da correção óptica e observação após assentamento
- Treinamento de manuseio e revisão após iniciar o uso
Como colocar a lente: o líquido dentro dela é importante
Antes de colocar a lente escleral, a pessoa deve lavar e secar bem as mãos. A cavidade da lente precisa ser preenchida com solução estéril, sem conservantes e própria para essa finalidade, conforme orientação do profissional que fez a adaptação. O objetivo é manter o reservatório sem bolhas.
Essa solução de preenchimento não é a mesma coisa que o produto usado para limpar, desinfetar e guardar a lente. Soro ou solução salina podem ser apropriados para preencher quando forem estéreis e indicados para esse uso, mas não desinfetam a lente.
Água de torneira, água filtrada, água mineral, saliva e soluções caseiras não devem ser usadas para preencher, lavar ou guardar lentes de contato. Mesmo quando parecem limpas, podem carregar microrganismos capazes de provocar infecções graves.
Limpeza, desinfecção e conservação
Depois da retirada, a lente precisa passar pelo sistema de limpeza e desinfecção recomendado para o seu material e desenho. Alguns sistemas utilizam soluções multipropósito; outros usam peróxido de hidrogênio, que exige neutralização completa antes do contato com os olhos.
Não reutilize nem complete solução velha no estojo, respeite os prazos de validade e substituição e não improvise misturas. O profissional deve orientar quais produtos são compatíveis com a lente e como conservar o estojo.
Também é importante não dormir com as lentes esclerais, a menos que exista uma indicação terapêutica excepcional acompanhada de instruções específicas. Banho, piscina e mar são situações de risco de contato com água; a recomendação geral é retirar as lentes antes.
O que pode dar errado e quando parar de usar
Uma lente aparentemente confortável pode estar comprimindo áreas da conjuntiva, acumulando depósitos ou dificultando a oxigenação da córnea. Visão que embaça durante o uso, dificuldade para retirar, bolhas, marcas persistentes e vermelhidão recorrente merecem revisão da adaptação.
Dor, vermelhidão importante, fotofobia, secreção, mancha branca na córnea ou piora da visão podem indicar complicações. Retire a lente, não a recoloque e procure avaliação oftalmológica urgente, especialmente se os sintomas forem intensos ou persistentes.
O acompanhamento periódico permite observar a superfície ocular, as bordas da lente, a espessura do reservatório e possíveis sinais de hipóxia ou inflamação.
Quanto tempo dura uma lente escleral?
Não existe uma duração única que sirva para todos. A vida útil depende do material, conservação, depósitos, riscos, estabilidade das medidas do olho e alterações do desenho ou do grau ao longo do tempo.
O uso diário também é individualizado. O profissional orienta a progressão do tempo de uso, eventuais pausas e as revisões necessárias. Mesmo uma lente sem desconforto deve ser avaliada periodicamente.
Onde fazer adaptação de lentes esclerais na oftalmo+
A oftalmo+ realiza avaliação e adaptação de lentes esclerais na unidade Campo Grande, no Rio de Janeiro. A equipe pode orientar sobre agendamento, exames necessários e etapas do processo.
A adaptação de lentes esclerais também está disponível na unidade Barra da Tijuca. O desenho e a indicação da lente são definidos após avaliação individual; a equipe confirma disponibilidade e condições de atendimento.
Esse serviço específico não está anunciado para a unidade Santa Cruz. Consulte a equipe para encontrar a unidade mais adequada para sua avaliação.
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