Córnea irregular e reabilitação visual

Lentes esclerais: para que servem, adaptação e cuidados

Olho em close com lente de contato transparente e iluminação azul, representando lentes esclerais

As lentes esclerais são lentes de contato rígidas e de maior diâmetro, desenhadas para ultrapassar a córnea e apoiar-se sobre a conjuntiva que recobre a esclera, a parte branca do olho. Entre a lente e a córnea fica um reservatório de líquido. Essa combinação pode melhorar a qualidade visual em córneas irregulares e ajudar a proteger a superfície ocular em situações selecionadas.

01A lente apoia-se na conjuntiva sobre a esclera, não sobre o centro da córnea
02Pode ajudar na reabilitação visual do ceratocone, mas não impede sua progressão
03Adaptação de lentes esclerais: Campo Grande e Barra da Tijuca
01

O que é uma lente escleral e por que ela é diferente

Uma lente escleral é feita de material rígido gás-permeável e tem diâmetro suficiente para ultrapassar a córnea e o limbo. Em vez de depender do apoio central na córnea, ela foi desenhada para se apoiar na conjuntiva que reveste a esclera.

O espaço entre a parte interna da lente e a córnea é preenchido com solução estéril adequada. Esse reservatório líquido, também chamado de reservatório lacrimal, ajuda a criar uma superfície óptica mais regular e, em alguns pacientes, contribui para proteger uma superfície ocular fragilizada.

É um dispositivo médico feito ou selecionado por parâmetros específicos do olho. Maior tamanho não significa, por si só, melhor adaptação: a qualidade do encaixe e o acompanhamento são fundamentais.

Corte anatômico mostrando lente escleral apoiada sobre a conjuntiva além do limbo, reservatório líquido, córnea, íris e cristalino
A lente escleral passa sobre a córnea e o limbo sem tocá-los e se apoia na conjuntiva que recobre a esclera. O reservatório líquido ocupa o espaço entre a lente e a córnea. Ilustração esquemática, sem escala.
02

Para quem as lentes esclerais podem ser indicadas

As lentes esclerais costumam ser consideradas quando óculos e lentes convencionais não oferecem visão ou tolerância suficientes. A indicação depende de exame oftalmológico, características da córnea, superfície ocular e capacidade de manusear e cuidar da lente.

  • Ceratocone e outras ectasias da córnea com astigmatismo irregular
  • Irregularidades corneanas após cirurgias ou transplantes, em casos selecionados
  • Cicatrizes ou alterações que dificultam a visão com lentes convencionais
  • Algumas doenças importantes da superfície ocular, como olho seco grave, quando há indicação terapêutica específica
03

Lente escleral corrige o ceratocone ou interrompe sua progressão?

A lente escleral pode melhorar a visão do paciente com ceratocone ao criar uma interface óptica mais regular diante de uma córnea irregular. Isso pode reduzir imagens duplicadas, sombras e outras distorções que nem sempre desaparecem com óculos.

Mas melhorar a visão é diferente de controlar a doença. A lente escleral não substitui o acompanhamento da progressão do ceratocone. Quando há evolução documentada, tratamentos como o crosslinking podem ser avaliados com outra finalidade: procurar estabilizar a córnea.

O mesmo paciente pode precisar de estratégias diferentes para dois objetivos: enxergar melhor e acompanhar ou tratar a progressão.

04

Escleral, rígida corneana e gelatinosa: qual é a diferença?

A lente gelatinosa costuma acompanhar mais de perto o formato da córnea e atende muitas necessidades de correção visual. A lente rígida gás-permeável corneana é menor e se apoia sobre a córnea, podendo oferecer uma superfície óptica mais regular.

A lente escleral também é rígida e gás-permeável, mas é maior: ultrapassa a córnea e distribui o apoio na região escleral recoberta pela conjuntiva. Entre a lente e a córnea fica o reservatório líquido.

Em alguns pacientes, esse desenho aumenta a estabilidade e o conforto; em outros, o manuseio, a adaptação ou condições da superfície ocular tornam outra opção mais adequada. Não existe um modelo vencedor para todos os olhos.

05

Como funciona a adaptação de uma lente escleral

A adaptação começa com avaliação da visão, da córnea, da lágrima e das pálpebras, além de histórico de tratamentos e lentes anteriores. Conforme o caso, topografia, tomografia corneana e outros exames podem ajudar no planejamento.

Na lente de teste, o profissional observa a separação entre a lente e a córnea (clearance ou vault), a região limbar e o modo como a lente se apoia na conjuntiva. O encaixe é reavaliado após um período de acomodação da lente no olho, porque a distribuição de apoio e o reservatório podem mudar.

Também se avaliam a qualidade visual, a oxigenação, a presença de bolhas e o conforto. Podem ser necessários ajustes de desenho e mais de uma visita. O processo inclui ensinar colocação, retirada, higiene e sinais de alerta.

  • Avaliação clínica e escolha da lente de teste
  • Análise do reservatório líquido, do limbo e do apoio escleral
  • Refinação da correção óptica e observação após assentamento
  • Treinamento de manuseio e revisão após iniciar o uso
06

Como colocar a lente: o líquido dentro dela é importante

Antes de colocar a lente escleral, a pessoa deve lavar e secar bem as mãos. A cavidade da lente precisa ser preenchida com solução estéril, sem conservantes e própria para essa finalidade, conforme orientação do profissional que fez a adaptação. O objetivo é manter o reservatório sem bolhas.

Essa solução de preenchimento não é a mesma coisa que o produto usado para limpar, desinfetar e guardar a lente. Soro ou solução salina podem ser apropriados para preencher quando forem estéreis e indicados para esse uso, mas não desinfetam a lente.

Água de torneira, água filtrada, água mineral, saliva e soluções caseiras não devem ser usadas para preencher, lavar ou guardar lentes de contato. Mesmo quando parecem limpas, podem carregar microrganismos capazes de provocar infecções graves.

07

Limpeza, desinfecção e conservação

Depois da retirada, a lente precisa passar pelo sistema de limpeza e desinfecção recomendado para o seu material e desenho. Alguns sistemas utilizam soluções multipropósito; outros usam peróxido de hidrogênio, que exige neutralização completa antes do contato com os olhos.

Não reutilize nem complete solução velha no estojo, respeite os prazos de validade e substituição e não improvise misturas. O profissional deve orientar quais produtos são compatíveis com a lente e como conservar o estojo.

Também é importante não dormir com as lentes esclerais, a menos que exista uma indicação terapêutica excepcional acompanhada de instruções específicas. Banho, piscina e mar são situações de risco de contato com água; a recomendação geral é retirar as lentes antes.

08

O que pode dar errado e quando parar de usar

Uma lente aparentemente confortável pode estar comprimindo áreas da conjuntiva, acumulando depósitos ou dificultando a oxigenação da córnea. Visão que embaça durante o uso, dificuldade para retirar, bolhas, marcas persistentes e vermelhidão recorrente merecem revisão da adaptação.

Dor, vermelhidão importante, fotofobia, secreção, mancha branca na córnea ou piora da visão podem indicar complicações. Retire a lente, não a recoloque e procure avaliação oftalmológica urgente, especialmente se os sintomas forem intensos ou persistentes.

O acompanhamento periódico permite observar a superfície ocular, as bordas da lente, a espessura do reservatório e possíveis sinais de hipóxia ou inflamação.

09

Quanto tempo dura uma lente escleral?

Não existe uma duração única que sirva para todos. A vida útil depende do material, conservação, depósitos, riscos, estabilidade das medidas do olho e alterações do desenho ou do grau ao longo do tempo.

O uso diário também é individualizado. O profissional orienta a progressão do tempo de uso, eventuais pausas e as revisões necessárias. Mesmo uma lente sem desconforto deve ser avaliada periodicamente.

10

Onde fazer adaptação de lentes esclerais na oftalmo+

A oftalmo+ realiza avaliação e adaptação de lentes esclerais na unidade Campo Grande, no Rio de Janeiro. A equipe pode orientar sobre agendamento, exames necessários e etapas do processo.

A adaptação de lentes esclerais também está disponível na unidade Barra da Tijuca. O desenho e a indicação da lente são definidos após avaliação individual; a equipe confirma disponibilidade e condições de atendimento.

Esse serviço específico não está anunciado para a unidade Santa Cruz. Consulte a equipe para encontrar a unidade mais adequada para sua avaliação.

Dúvidas frequentes

Respostas diretas sobre o assunto

Lente escleral é a mesma coisa que lente rígida?

Ela também é rígida e gás-permeável, mas tem um desenho diferente da rígida corneana: é maior, ultrapassa a córnea e se apoia na conjuntiva sobre a esclera, mantendo um reservatório de líquido.

Lentes esclerais são indicadas para ceratocone?

Podem ser indicadas quando ajudam a melhorar a visão em uma córnea irregular. A decisão depende da avaliação, do encaixe e da resposta do olho à lente.

Lente escleral faz o ceratocone parar de progredir?

Não. Ela tem papel principalmente na reabilitação visual e, em algumas situações, na proteção da superfície ocular. O acompanhamento da progressão e a indicação de crosslinking são questões separadas.

Lente escleral dói ou é difícil de usar?

Muitas pessoas se adaptam bem, mas conforto e facilidade de uso variam. Colocar e retirar a lente exigem treinamento; dor persistente não deve ser considerada normal.

Posso usar água ou soro comum para preencher a lente?

Nunca use água. Para preencher, utilize apenas a solução estéril, sem conservantes e adequada para lentes esclerais indicada pelo profissional. O líquido de preenchimento não substitui a limpeza e a desinfecção.

Posso dormir com uma lente escleral?

O uso durante o sono não deve ser feito como rotina. Qualquer indicação terapêutica excepcional exige orientação e acompanhamento médico específicos.

Preciso fazer topografia ou tomografia para adaptar?

Esses exames podem ser úteis para investigar a córnea e planejar a adaptação, mas a necessidade depende da avaliação individual. O teste e a observação da lente no olho continuam essenciais.

Onde a oftalmo+ faz adaptação de lentes esclerais?

Nas unidades Campo Grande e Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A equipe confirma atendimento, exames e disponibilidade antes do agendamento.

Cuidado começa com uma boa avaliação

Informação ajuda. A consulta define o próximo passo.

Fale com a equipe para escolher a unidade e o atendimento mais adequados.

Falar com a oftalmo+