O exame começa antes dos aparelhos
A avaliação começa pela conversa: o que mudou na visão, quando os sintomas apareceram, quais óculos ou lentes são usados e que doenças, medicamentos ou antecedentes familiares podem influenciar os olhos. Essa etapa, chamada anamnese, orienta os testes necessários.
A sequência não é idêntica para todo mundo. Crianças, adultos, idosos e pessoas com queixas específicas podem precisar de técnicas diferentes e de investigação complementar.
Acuidade visual: o que significam 20/20, 20/40 e outras medidas
A acuidade visual avalia a capacidade de distinguir letras, símbolos ou detalhes a uma distância padronizada. Costuma ser medida para longe e, quando indicado, para perto, com e sem correção. Para crianças pequenas ou pessoas que não leem letras, existem tabelas com figuras ou outros métodos apropriados.
Imagine duas pessoas tentando ler as mesmas letras de um cartaz. Quem tem acuidade 20/20 consegue lê-las a cerca de 6 metros. Com 20/40, pode ser necessário chegar a cerca de 6 metros para ler letras que alguém com acuidade 20/20 conseguiria ler a 12 metros. Com 20/200, a comparação é 6 metros contra cerca de 60 metros. Assim, quando o primeiro número é igual, quanto maior o segundo, menor a acuidade visual. O infográfico abaixo mostra essa progressão de forma simplificada.
Acuidade visual não é sinônimo de grau: alguém com miopia elevada pode alcançar 20/20 com óculos adequados. E 20/20 não garante, sozinho, ausência de glaucoma, problemas de retina ou outras alterações oculares.
Refração: como descobrimos o grau dos óculos
A refração investiga qual combinação de lentes melhora a nitidez e o conforto visual. O exame pode começar com retinoscopia ou autorrefração, que fornecem dados iniciais, e ser refinado com a refração subjetiva: o paciente compara lentes e informa qual oferece a melhor imagem.
A prescrição considera valores esféricos (miopia ou hipermetropia), cilíndricos e eixo (astigmatismo) e, quando necessário, adição para perto (presbiopia). O número obtido no aparelho automático não equivale, obrigatoriamente, à receita final.
Em algumas situações, especialmente em crianças e em suspeita de excesso de acomodação, podem ser usados colírios cicloplégicos para reduzir temporariamente o esforço de foco e tornar a medida mais confiável. Isso é definido pelo oftalmologista.
Biomicroscopia: o exame na lâmpada de fenda
Na biomicroscopia, o oftalmologista usa uma iluminação ajustável e um microscópio chamado lâmpada de fenda para observar, com aumento, estruturas como pálpebras, conjuntiva, filme lacrimal, córnea, câmara anterior, íris e cristalino.
O exame ajuda a reconhecer, por exemplo, alterações da superfície ocular, inflamação, sinais de catarata e mudanças relacionadas ao uso de lentes de contato. Com lentes auxiliares, a lâmpada de fenda também pode ser utilizada na avaliação de estruturas posteriores do olho.
Tonometria: por que medir a pressão do olho
A tonometria mede a pressão intraocular, um dado importante na investigação e no acompanhamento de glaucoma. Existem técnicas diferentes, incluindo a tonometria de aplanação e métodos sem contato.
Uma medida de pressão isolada não diagnostica nem exclui glaucoma. A interpretação depende do nervo óptico, do contexto clínico e, quando necessário, de exames como paquimetria, OCT e campimetria.
Fundo de olho: retina, mácula e nervo óptico
A fundoscopia, também chamada oftalmoscopia, permite observar estruturas internas, sobretudo o nervo óptico, vasos e retina central. Conforme a técnica e a indicação, o médico pode utilizar uma lente auxiliar, oftalmoscópio e dilatação da pupila.
Quando é necessário examinar amplamente a periferia retiniana, um mapeamento de retina pode ser indicado. Retinografia é fotografia do fundo de olho; OCT produz cortes de alta resolução. São avaliações diferentes, que podem se complementar e não são realizadas automaticamente em toda consulta.
Pupilas, alinhamento e movimentos dos olhos
A avaliação pupilar observa tamanho, simetria e resposta à luz. Testes de motilidade e alinhamento verificam como os olhos se movem e trabalham juntos, podendo ajudar a investigar estrabismo, visão dupla e outras queixas.
A necessidade de testar visão de cores, estereopsia, campo visual por confrontação ou realizar avaliações adicionais depende do motivo da consulta e dos achados clínicos.
Precisa dilatar a pupila em toda consulta?
Não. A dilatação pode ajudar a avaliar o fundo do olho e, em algumas situações, pode integrar a refração sob cicloplegia. Sua indicação depende de idade, queixas, fatores de risco e exame inicial.
Após determinados colírios, pode haver visão de perto embaçada e maior sensibilidade à luz por algumas horas. Quando houver dilatação, a equipe orienta os cuidados necessários e se é melhor evitar dirigir.
Quando procurar avaliação e o que levar
Mudanças de visão, dificuldade de leitura, piora do conforto visual, histórico familiar de doenças oculares e acompanhamento de doenças como diabetes são motivos para marcar uma avaliação. A periodicidade ideal não é a mesma para todas as pessoas.
Leve óculos e receitas anteriores, relação de medicamentos, exames oftalmológicos anteriores e informações sobre doenças da família. Para crianças, a avaliação deve seguir orientações específicas para a faixa etária.
Perda súbita de visão, dor ocular intensa, flashes com novas moscas volantes ou sombra em forma de cortina na visão pedem avaliação oftalmológica urgente; não espere uma consulta de rotina.
Consulta oftalmológica e exames complementares
Uma consulta médica avalia os resultados em conjunto e responde às perguntas do paciente. Dependendo do caso, pode haver solicitação de exames complementares, mas nenhum aparelho isolado substitui a avaliação clínica.
No Guia da oftalmo+, você também encontra explicações sobre OCT, campimetria visual, mapeamento de retina, topografia de córnea e paquimetria. Cada um atende a perguntas diferentes e tem indicações específicas.
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